Este Projeto teve como foco uma questão levantada durante uma pesquisa de campo, que utilizou a leitura e interpretação de imagens por alunos surdos jovens e adultos, do Curso Noturno. Por isso, foi apresentada a mesma pintura para turmas com alunos de Segundo Grau e do Curso Normal, isto é, também jovens e adultos, para verificar se apresentariam a mesma resposta.
Observou-se que a interpretação de uma imagem ou obra artística, depende da realidade ou experiência de vida de cada pessoa. Esta interpretação, sem interferência da língua ou explicação, pode trazer leituras que não são aquelas propostas pela mesma, ou pelo artista que a criou. Neste momento, a subjetividade irá marcar este processo.
- A atividade:
- Foi solicitado uma releitura desta pintura, dizendo somente o nome do autor e não o título da obra. Sem uma adequada explicação, foi logo questionado pelos alunos se seria uma mulher ou um homem. No primeiro momento sem ter certeza do gênero, isto causou muita insegurança. Muitos associaram a figuras paternas e maternas. Abaixo, estão alguns exemplos produzidos por alunos ouvintes e surdos, que não apresentaram diferenças quanto a interpretação da mesma. Ambos os grupos tiveram dúvida quanto ao gênero, tanto da figura do adulto quanto a da criança. Sobressaindo, portanto, a subjetividade de cada um na escolha do gênero.
- Exemplo de desenhos onde o adulto é uma mulher, mãe com o seu filho.
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| Feito por uma aluna ouvinte |
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| Feito por duas alunas ouvintes |
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| Feito por aluna surda |
- Exemplos de desenhos onde o adulto é um homem, pai com seu filho.
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| Feito por aluna ouvinte |
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| Feito por aluna ouvinte |
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| Feito por aluna ouvinte |
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| Feito por aluno surdo |
Conclusão:
Segundo Analice Pillar (2006) existe uma pluralidade de leituras e interpretações. Porque o olhar de cada pessoa está impregnado de experiências anteriores, associações, lembranças, fantasias, interpretações, etc. O que se vê não é um dado real, mas aquilo que se consegue captar e interpretar acerca do que é visto, o que nos é significativo.(Pillar, Analice Dutra - Org. A educação do olhar no ensino das artes. Porto Alegre:Mediação, p.9-21, 2006)
Portanto, é necessário que o professor ao utilizar imagens, tenha em mente que é relevante um diálogo sobre elas. Porque somente a exposição da mesma, não garante que o aluno esteja compreendendo o conteúdo que se quer transmitir. Destaco que, para o aluno surdo é necessário a língua de sinais para que ele possa entender o que aquela imagem está sugerindo.
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