Rio,11/05/2009
O Projeto Educar para uma Cultura de Paz que aconteceu no Instituto de Educação Carmela Dutra em 2008, teve como suas principais abordagens: a reflexão da escola e suas relações multiculturais,o curso de formação de professores, o envolvimento das mulheres na luta pela paz, a criação de alternativas para a violência em sala de aula e a capacitação para a gestão de conflitos.No segundo momento foram abordados pontos de debates em relação a Saúde, observando-se alternativas para a preservação do meio ambiente, promoção de uma vida saudável tanto individualmente quanto no enfoque social. No terceiro momento foram levantadas as questões relativas a justiça, direitos humanos e cidadania. E finalmente, no quarto momento, as abordagens deveriam promover a participação da comunidade numa construção mais democrática em relação a atuação dos educando na escola, na comunidade, na cidade e em diferentes cenários no nosso país.
Antes de comentar os resultados do Projeto, gostaríamos de pensar sobre os conceitos de Paz que a Educação para a Paz aborda. Primeiramente, devemos pensar na diferença entre os conceitos de Paz Negativa e de Paz Positiva. O conceito de paz utilizado pela cultura ocidental vem dos conceitos de paz grega (eirene)e de paz romana (pax). O conceito grego, eirene, refere-se à busca da perfeição no equilíbrio entre o aspecto mental e a tranquilidade interior, sendo essa tranquilidade entendida como um estado caracterizado pela ausência de hostilidades e de conflitos violentos. Já o conceito de pax, está ligado à idéia da manutenção e respeito às leis e a ordem estabelecida pela sociedade em vigor.
As duas concepções citadas acima indicam que para construir um conceito de paz é necessário prevalecer a ausência de violência, guerras e conflitos. É frequente o uso de expressões em nossa cultura, que demonstram essa vontade interior de se viver em paz, num estado de tranquilidade. Conforme diz Callado (2008,p.20), "Haja Paz" ou "Deixe-me em paz!". Por isso, Galtung (1985), apud Callado (2002)cria o conceito de Paz Positiva, no qual não basta apenas que haja ausência de violência, mas é necessário uma interação e inter-relação positiva e dinâmica entre as pessoas, apoio mútuo, confiança, reciprocidade e cooperação. A Paz Positiva afeta todas as dimensões da vida, deixando de ser uma utopia para converter-se num processo contínuo baseado na justiça. Em que a cooperação, o entendimento e a confiança assentem as bases das relações humanas. Deixa de ser uma questão do Estado, passando a ser um fator social do qual todos podem e devem participar e contribuir.
A partir deste novo conceito de Paz, Galtung(1985) acrescenta uma nova estrutura para os conflitos, considera que há dois tipos de conflitos, os conflitos latentes e os manifestos. O conflito latente é aquele onde as partes não percebem a situação, pois são ocultas, por estarem imersas nos costumes, na cultura e na vida cotidiana; e os conflitos manifestos, são aqueles onde as partes envolvidas estão conscientes da situação e conseguem, a partir dessa consciência, gerar soluções. Callado (2002), considera que o conflito é um processo natural e um fenômeno necessário para a mudança nas relações e nas transformações socais, podendo ser destrutivo ou positivo, segundo a maneira de regulá-lo. O conflito é um fator motivador e elemento criativo essencial nas relações humanas, um desafio e um processo de cooperação, no qual todas as partes envolvidas tentam encontrar soluções comuns que sejam aceitáveis para todos. Para tanto, Lederach (1984) apud callado (2002), propõe a mudança do termo "resolver" um conflito, por "regular", isto é: os conflitos não começam e terminam, mas emergem e diminuem. O objetivo é ajustar, regular o processo para que se caminhe na direção de fins produtivos. Continua Lederach (1984) apud Callado (2002) que, a partir da visão de uma paz positiva, os conflitos se apresentam como um processo necessário à humanidade.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
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